Sim, sinto ciúme. Não, não gosto deste sentimento. Toda a sua essência é suja.
Mas sim, sinto ciúme. Não porque as tratas como me tratavas a mim, mas porque as tratas melhor do que alguma vez me conseguiste tratar.
Não acredito, de qualquer forma, que olhes para alguém, com facilidade, como olhavas para mim. Tenho disso quase certeza.
Acredito nessas tuas palavras e prefiro manter-me ignorante.
Mas dói. Todas as frases frias, o teu encolher de ombros sem sal, que contrastam com a tua mão quente quando pousa na minha pele.
E depois a tua distância física face a todas as outras, mas a tua inclinação para seres simpático, mais que isso, com quem nunca te foi nada...
Dóis-me por seres tu. Por sempre maltratares quem já amaste. Por não quereres ver, simplesmente, o quão mal me fazes.
Matas-me, sobretudo, por não conseguir desaparecer contigo da minha vida. E, ainda assim, só me fazes querer viver porque estás aí.
B.P., 2016
