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quarta-feira, 5 de abril de 2017

Cartas do Passado #7

Vídeo: "False Alarm" - Matoma & Becky Hill
Se soubesses a importância que tens...
Se soubesses o quão caída por ti fico quando vens com as tuas piadas parvas, histórias absurdas e teorias malucas...
Se soubesses o quanto passei a gostar de olhar para cima e de ver olhos claros e esse teu ar misterioso e desajeitado...
Se soubesses o quão ferida e cansada estou mas que erguer-me-ia apenas para ajudar a cicatrizar as feridas profundas que carregas...
Se soubesses, faria alguma diferença?
Esta paixão é cansativa, sabes? Esta paixão é desastrosamente estúpida.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Cartas do Passado #6

O teu problema é nunca eu te negar. 
O teu problema é nunca partires o coração. 
O teu problema é saberes que podes voltar a qualquer momento. 
Vais embora quantas vezes queres e eu fico aqui, sozinha, desolada, à espera de luz, sem rumo. 
Sinto-me assim, sempre que abalas aquilo que sou, aquilo que quero ser. 
Deixas-me incompreendida e sem sentido, talvez porque é assim que tu és.
Depois, voltas quando sentes a mínima solidão - nem tu sabes o verdadeiro peso dela, pois não?

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Cartas do Passado #5

Sim, sinto ciúme. Não, não gosto deste sentimento. Toda a sua essência é suja.
Mas sim, sinto ciúme. Não porque as tratas como me tratavas a mim, mas porque as tratas melhor do que alguma vez me conseguiste tratar.
Não acredito, de qualquer forma, que olhes para alguém, com facilidade, como olhavas para mim. Tenho disso quase certeza. 
Acredito nessas tuas palavras e prefiro manter-me ignorante.
Mas dói. Todas as frases frias, o teu encolher de ombros sem sal, que contrastam com a tua mão quente quando pousa na minha pele. 
E depois a tua distância física face a todas as outras, mas a tua inclinação para seres simpático, mais que isso, com quem nunca te foi nada...
Dóis-me por seres tu. Por sempre maltratares quem já amaste. Por não quereres ver, simplesmente, o quão mal me fazes. 
Matas-me, sobretudo, por não conseguir desaparecer contigo da minha vida. E, ainda assim, só me fazes querer viver porque estás aí. 

B.P., 2016

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Cartas do Passado #4

Juro que o senti quando me tocaste.
Como se esse toque já me pertencesse e estivéssemos ambos pouco cientes disso.
Como se já me tivesses tocado um milhão e meio de vezes e nenhum de nós se lembrasse de como era.
Como se arrastar a tua mão leve pelos fios compridos do meu cabelo fosse tão normal, para ti, quanto respirar.
Essa mão que parecia saber percorrer, sem hesitação, o caminho desde o meu pescoço até ao fundo da minha espinha, onde acontecia aquele estranho arrepio. Como se de trilho natural para os teus dedos fosse.
Essas mãos que puxaram a minha cintura para perto. Como se de tua posse se tratasse…
Não me digas que não sentiste. Ou então diz que não foi nada mas, por favor, não me ignores. 
Por que me provocas tanto e depois foges para essa tua altitude e altivez? Como é suposto perceber o que queres?
B.P., 2016

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Cartas do Passado #3

abandonada
Como sabes que és o pior pesadelo de quem mais queres?
Quando a pessoa procura, sobretudo, paz interior e tu só sabes como lhe tirar o sossego.
Quando a pessoa gosta do seu espaço e tu precisas demasiado dela para que o consigas respeitar.
Quando a pessoa gosta de estar sozinha com os seus pensamentos e tu precisas de tanta atenção que não entendes como a libertar.
Quando a pessoa se farta de tudo muito facilmente e sabes que já aturou demasiado da tua personalidade complicada.
Quando a pessoa estava habituada a viver sem preocupações e dores de cabeça e tu és a mais turbulenta que lhe poderia aparecer pela frente.
Quando tu te sentes o ser que tanto precisa de amor e o mais carente à face da terra e imploras que te agarrem, não as mãos mas, por completo e a pessoa não sabe o que é ou como segurar o mundo do outro.
B.P., 2015

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Cartas do Passado #2


painting
Desculpa-me. 
Desculpa-me os ciúmes. 
Desculpa-me as cenas. 
Desculpa-me a irritabilidade. 
Desculpa-me, só. 
Não sou fácil, nunca serei. Sinto-me incompleta a cada momento, há um sentimento de vazio constante, uma dor encoberta por uma capa de papel que passa a vida a rasgar.
Sinto que só tu podes reparar o dano que há em mim, o soberbo e profundo dano dentro de mim. Todas as horas que todos os outros perderam a rasgar cada pedacinho meu e a atear-lhes fogo, peço-te, só a ti, que os busques, que enfeitices as cinzas e que voltes a construir o que fui, aquilo que tenho medo de não voltar a ser. Eu era feliz, juro que era feliz, muito feliz – talvez não tanto. Ou então, julgo e apenas creio ter sido feliz porque assim o desejava.

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Cartas do Passado #1

E foi a ver fotos antigas que entendi, finalmente. Entendi por que razão te desapaixonaste, te desinteressaste. Eu perdi o sorriso, perdi o brilho nos olhos, perdi o vermelho que me tingia o cabelo. Mas, acima de tudo, perdi a pureza com que me aproximei de ti. Tornei-me numa pessoa fria, obcecada, compulsiva, doente, obscura de certo modo.
Eu era feliz, eu tinha sonhos, eu sorria, eu era única do meu jeito. Foi isso que te chamou para mim, para nós. E, no entanto, consegui chegar ao ponto em que estou. Sou só mais uma pessoa no meio de tantas outras, que precisam de ajuda. Era só mais um estorvo para ti. Era só mais uma coisa chata que não fazia compensar os poucos minutos de prazer, em comparação com os dias de sofrimento.
Mas não me culpes só a mim. Culpa-te também a ti por nunca te teres aberto completamente comigo. Culpa-te pela nuvém que pairava sobre mim, sobre nós. Culpa-te também por me teres tornado fria. Eras quente só de tempos a tempos e o calor é essencial à vida, sabes? Levaste-me o calor, a vida. Levaste-me os sorrisos, o brilho nos olhos, o vermelho do cabelo e o do sangue também. E desapaixonaste-te pois já não tinhas mais nada para levar. 
Mas, acredita, até isso eu te perdoo...
 B.P., 2015
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