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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Aos recomeços

Eu gostava de ti, mas gosto mais de mim.
Gosto de como, afinal, consigo viver sem a tua presença, sem falar contigo. Antes, não sabia que isso era possível...
Gosto de não depender emocionalmente de alguém que nunca me fez acreditar em mim mesma. Eu era escrava da minha obsessão por ti, sabes? Aposto que soubeste o tempo todo, não te julgo.
Gosto de não ter de te contar que ontem, ou no outro dia, saí com alguém mais interessante do que esperava e me diverti. Porque eu sei que mereço muito mais que a solidão que carrego, tantas e tantas vezes.
Gosto de sentir que eu posso ser tudo o que queria ser e que isso só me é possível desta forma, longe de ti, das nossas conversas fiadas, dos teus poucos motivos e vontades. Se calhar, eu só queria ser livre, porque sou, e não entendia isso.
Gosto de saber que estou sozinha mas que, no final de contas, posso estar com quem quiser, quando quiser, ou na minha própria e única companhia, apenas. Afinal fizeste-me aprender a viver com os meus altos e turbulentos pensamentos. Obrigada por isso.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Cai a ficha outra vez.

Sabem quando uma coisa corre mal? Sabem quantas coisas são capazes de correr mal, como que em catadupa, quando a primeira descarrila? 
A vida, nestes dias, até tem sido fácil. Focada no Natal, que tanto aprecio e que se aproxima, focada nas prendas que gosto de comprar,  focada no facto de estar quase no fim de um semestre académico que foi relativamente positivo, enfim, ligada às coisas boas que ultimamente me têm rodeado, à positividade que, finalmente, parecia tomar posse de mim. Mas, como sabem, tudo o que é negativo chama-nos, mais que automaticamente, a atenção. 
É quase inevitável não dedicarmos a maior parte do nosso tempo àquilo que nos faz sofrer, em vez de apreciarmos o positivo, que pode ser bem maior. E não sou eu que o digo, nada invento aqui. E parece que, temporariamente, espero, a nuvem negra voltou a pairar sobre mim. Porque questiono o inquestionável e obtenho respostas que, pelo menos conscientemente, não desejo ter. Por vezes, a bem da nossa sanidade, é melhor deixar os assuntos morrer, encerrar os capítulos, sabem?  Depois, vem o arrependimento, esse malvado sentimento que em nada nos beneficia e que nada poder mudar, a não ser aumentar o peso das coisas negativas, sendo por si só negativo. 
Sou eu, e mais ninguém, responsável por, mais uma vez, mentirem, ocultarem verdades, traírem a confiança, de alguma maneira, em algum momento. E não deveria impedi-lo? Mas não consigo, ainda, e sei que nada de mal há nisso, a não ser deixar que a ferida abra novamente, sem nunca deixar que a cicatriz seque. Porque somos assim, feitos de ingenuidades, porque tendemos sempre a acreditar, porque esperamos honestidade, porque confiamos. Talvez porque amamos. Ou talvez porque ainda não compreendemos o que é o desapego.
Sabem o que é pior? Sinto que quero "recuperar-me" a mim mesma, ser terapeuta daquilo que sou. Ultimamente, não me permito sentir fria, pura e cruamente, tento racionalizar tudo, tento entender no momento, mesmo o que sei que jamais entenderei sozinha, mesmo sabendo que não consigo suturar o meu próprio corte...

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Um NÃO às (des)ilusões

É tão simples andar iludido por aqui, é tão fácil estar enganado em relação a tudo e a todos. Começando pelo simples facto de não sabermos o nosso destino final. Batalhamos uma vida inteira, por tudo e mais alguma coisa, temos sonhos, ambições, projetos, para um dia simplesmente fecharmos os olhos e nada mais haver, se quisermos ser práticos em relação à morte, algo que não costumo ser, acreditando que há algo mais... E notem que não estou a querer ser derrotista, quero ser apenas realista. Nós nem sequer sabemos como ou quando vamos perecer, contudo não conseguimos ser bons, nem connosco, nem para com outros, em tantos momentos, podendo qualquer um ser o último.
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