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sábado, 23 de setembro de 2017

E agora?

Quero arrancar-te a ferros de mim, destruir-te como destróis constantemente tudo aquilo que sou e tudo aquilo em que acredito. Quero espezinhar-te, limpar-te de mim, não ter resquício teu no meu corpo ou na minha mente. Quem me dera esquecer tudo, apagar aquilo que foste e tudo quanto fizeste, bom e mau. Anular aquilo que sinto e perceber que sou tudo sem ti e um farrapo quando me deitas ao chão.
Podia simplesmente fazer-te desaparecer do meu mundo e não mais me lembrar que tu foste tanto e tão pouco. Mas não posso, não consigo. Não tenho forças e não quero ter. Porque tu mentes e eu não sei como acreditar nas verdades que conheço, naquilo que me escondes e eu descubro, sabe o Universo como.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Só mais uma vez.




Mais um tiro. Só mais um só para ter a certeza que já está morto.
O vilão nunca morre à primeira. O amor jamais desaparecerá com um só tiro. E já vamos no terceiro.
Então, por que não ferir só mais uma vez? 
Por que não cravar a lâmina na carne e girar, só para ter a certeza que tortura mais um pouco?
Continua a sangrar, que mereces. Grita, chora, esperneia. Não quero saber. 
Deixa que a água se derrame por cima de ti e te leve as lágrimas ingénuas. Estúpida ilusão. Iludida.
Sente-te bem, no final, só porque eu te ordeno e porque me obedeces sem questionar. 
Este tiro que disparo há de ser só mais um. Porque, afinal, andas enganada. Sempre andaste. E aguentas.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Cartas do Passado #4

Juro que o senti quando me tocaste.
Como se esse toque já me pertencesse e estivéssemos ambos pouco cientes disso.
Como se já me tivesses tocado um milhão e meio de vezes e nenhum de nós se lembrasse de como era.
Como se arrastar a tua mão leve pelos fios compridos do meu cabelo fosse tão normal, para ti, quanto respirar.
Essa mão que parecia saber percorrer, sem hesitação, o caminho desde o meu pescoço até ao fundo da minha espinha, onde acontecia aquele estranho arrepio. Como se de trilho natural para os teus dedos fosse.
Essas mãos que puxaram a minha cintura para perto. Como se de tua posse se tratasse…
Não me digas que não sentiste. Ou então diz que não foi nada mas, por favor, não me ignores. 
Por que me provocas tanto e depois foges para essa tua altitude e altivez? Como é suposto perceber o que queres?
B.P., 2016

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Pseudo-Escrita




Escrevo para entendedor, porque me sinto desentendida. E quem sofre - todos - entenderá. Sinto um quarto de vida já vivida num quarto frio e sem vida. 
É a isto que se resume a feliz infelicidade de quem quer tudo e crê que nada tem, quando tudo o que poderia ter é tudo quanto precisa para estar contente. Mas nada funciona assim e o ser, incompleto por predefinida circunstância, sente-se vazio na sua imensa vontade de se completar continuamente, com infinitos desejos de plenitude e compreensão - amor. 
Mas tudo o que recebe é a sofrência das súplicas não ouvidas, jamais correspondidas, quando sabe já que não deveria ambicionar aquilo que não vê pois tal não lhe será concedido sem que o mereça. Mas o ser é cego nas suas decisões. E a cegueira torna o ser desprovido de moral para ser merecedor de amor. Ou assim o acha...

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Cai a ficha outra vez.

Sabem quando uma coisa corre mal? Sabem quantas coisas são capazes de correr mal, como que em catadupa, quando a primeira descarrila? 
A vida, nestes dias, até tem sido fácil. Focada no Natal, que tanto aprecio e que se aproxima, focada nas prendas que gosto de comprar,  focada no facto de estar quase no fim de um semestre académico que foi relativamente positivo, enfim, ligada às coisas boas que ultimamente me têm rodeado, à positividade que, finalmente, parecia tomar posse de mim. Mas, como sabem, tudo o que é negativo chama-nos, mais que automaticamente, a atenção. 
É quase inevitável não dedicarmos a maior parte do nosso tempo àquilo que nos faz sofrer, em vez de apreciarmos o positivo, que pode ser bem maior. E não sou eu que o digo, nada invento aqui. E parece que, temporariamente, espero, a nuvem negra voltou a pairar sobre mim. Porque questiono o inquestionável e obtenho respostas que, pelo menos conscientemente, não desejo ter. Por vezes, a bem da nossa sanidade, é melhor deixar os assuntos morrer, encerrar os capítulos, sabem?  Depois, vem o arrependimento, esse malvado sentimento que em nada nos beneficia e que nada poder mudar, a não ser aumentar o peso das coisas negativas, sendo por si só negativo. 
Sou eu, e mais ninguém, responsável por, mais uma vez, mentirem, ocultarem verdades, traírem a confiança, de alguma maneira, em algum momento. E não deveria impedi-lo? Mas não consigo, ainda, e sei que nada de mal há nisso, a não ser deixar que a ferida abra novamente, sem nunca deixar que a cicatriz seque. Porque somos assim, feitos de ingenuidades, porque tendemos sempre a acreditar, porque esperamos honestidade, porque confiamos. Talvez porque amamos. Ou talvez porque ainda não compreendemos o que é o desapego.
Sabem o que é pior? Sinto que quero "recuperar-me" a mim mesma, ser terapeuta daquilo que sou. Ultimamente, não me permito sentir fria, pura e cruamente, tento racionalizar tudo, tento entender no momento, mesmo o que sei que jamais entenderei sozinha, mesmo sabendo que não consigo suturar o meu próprio corte...

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Feridas

broken heart
Voltou a abrir esta ferida. E a doer muito. Por que teimam em não deixar o corte sarar? E vai sangrando, igual nascente em época de chuvas. E talvez seja só exagero meu, mas é assim que sinto, e sempre disse que o sentimento é subjetivo. A intensidade das coisas está profundamente ligada à essência da pessoa que as vive, no entanto a maioria tem tendência, embora o saiba por experiência própria, a não entender...
Porque se entendessem não faziam sofrer, diria qualquer sofredor. Porque, se quisessem entender, não iam embora tão facilmente, não desistiam, diria eu, também. Porque se não é um, é o outro. Porque se não é uma coisa, é a que se lhe opõe exatamente. E é cansativo. Os desamores são cansativos e muito mais são os amores, até pelo material... Como não haveria de ser pelo humano? 

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Um NÃO às (des)ilusões

É tão simples andar iludido por aqui, é tão fácil estar enganado em relação a tudo e a todos. Começando pelo simples facto de não sabermos o nosso destino final. Batalhamos uma vida inteira, por tudo e mais alguma coisa, temos sonhos, ambições, projetos, para um dia simplesmente fecharmos os olhos e nada mais haver, se quisermos ser práticos em relação à morte, algo que não costumo ser, acreditando que há algo mais... E notem que não estou a querer ser derrotista, quero ser apenas realista. Nós nem sequer sabemos como ou quando vamos perecer, contudo não conseguimos ser bons, nem connosco, nem para com outros, em tantos momentos, podendo qualquer um ser o último.
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