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sábado, 29 de abril de 2017

É uma dose de empatia, por favor! (Vamos falar daquele "jogo")

Tenho de vir falar disto porque tenho visto muitas barbaridades escritas e custa-me acreditar que as pessoas sejam só insensíveis, prefiro acreditar que não pensaram antes de se pronunciar...
Se estão atentos às notícias que vão passando pelo Facebook ou até a postagens dos vossos amigos, já devem ter ouvido falar, com certeza, no "jogo" da Baleia Azul. Confesso que inicialmente não estava a entender muito bem o que se estava a passar, embora tenha descoberto isto antes mesmo de chegar a Portugal, mas a verdade é que fiquei perfeitamente chocada, como se ainda não soubesse do que o ser humano é capaz. Mas entendam que eu não me refiro a quem se automutila... Refiro-me àqueles que ainda continuam a aliciar pessoas que se encontram demasiado mal para dizer não ao sofrimento que acabam até por desejar - eu consigo entender isso. Empatia, lembram-se?
Vocês sabem do que estou a falar, não sabem? O "jogo" consiste numa série de desafios que envolvem comportamentos suicidiários, como automutilação e mesmo suicídio, que é o culminar do desafio. Mas eu não fico, infelizmente, chocada com quem pratica estes atos contra si próprio, pois acabamos por saber, não só no meio em que estou, que a mente humana consegue ser a melhor e a pior coisa. E lembrem-se que ninguém, a não ser ele mesmo, pode imaginar o sofrimento psicológico daquele que se submete a um sofrimento físico que, comparado com o primeiro, não é nada. Em primeiro lugar, tentem entender isso e perdoem-me se estiver errada: a pessoa que se automutila, muitas vezes, recorre a esse comportamento quer para aliviar a dor psicológica, quer porque nem isso lhe dói tanto quanto os seus pensamentos e é uma forma de escapar a eles. Não é fácil de perceber, mas creio que é assim que funciona. Em segundo lugar, jamais podemos julgar ou criticar alguém por o fazer, ou chamá-lo de fraco, de "pobre de espírito". Como me farto de dizer, o sofrimento é muito subjetivo e aquele acontecimento que para alguém não quer dizer nada, para outra pessoa pode ser o fim.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

"My Mad Fat Diary"

Olá, olá,
Nem podia arranjar melhor título para esta postagem, porque o nome da série diz tudo e cada episódio é tudo! "My mad fat diary" é uma série relativamente recente (estreou em 2013 - o que me diz que já vou atrasada...), mas a história passa-se nos finais dos anos 90, e segue a vida de Rachel - ou Rae -, uma rapariga de 16 anos que esteve internada num hospital psiquiátrico, por tentativa de suicídio. Rae é uma jovem obesa com sérios problemas de autoestima e autoconfiança e muita falta de amor próprio, com a qual me consigo identificar bastante, infelizmente... E devemos, trazendo isto para a vida real, pensar que a maneira como a sociedade faz as pessoas com excesso de peso se verem não ajuda nada a que se sintam de outra forma, não é? E, se me seguem há algum tempo, sabem como debato, com frequência, este assunto.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Inseguranças.

Perdi a vergonha...
Sabem quando éramos crianças e não nos preocupávamos com a imagem? E quando não olhávamos para o espelho e não pensávamos o quão feios podíamos ser? Às vezes, constata-se que é na adolescência que nos começamos a preocupar demasiado com a aparência, que criamos complexos e vemos defeitos em tudo o que somos, se fomos "menos afortunados". No entanto, comigo sempre foi diferente, não consigo lembrar-me de um único momento em que tenha gostado realmente de mim, mesmo na flor da inocência, mesmo com aquela imagem tão querida, que vejo agora nas fotografias antigas. Só me consigo lembrar de todas as vezes em que desejava crescer, acreditando que ia ficar "como elas" - sem saber quem "elas" seriam.
Porque havia aqueles caracóis que eu detestava no meu cabelo (e que agora adoro), havia os pelos já muito pretos nos meus braços, que as outras meninas não tinham, depois comecei a engordar, com cerca de sete ou oito anos, e começou a haver o complexo com aquela barriga tão proeminente, depois aqueles dentes tortos e, finalmente, aproximando-se a puberdade, aquelas borbulhas horríveis, mais pelos por todo o corpo e a menstruação, para a qual ninguém parece estar preparada, por mais informação que tenha, numa fase de completo descontrolo emocional (e físico).

terça-feira, 13 de setembro de 2016

O que se passa?

Juro que queria saber o que escrever, mais do que vou dizer, neste momento. Juro que gostava de manter este cantinho atualizado com a mesma frequência com que o tenho feito, no entanto começam a faltar, apesar de tudo, duas coisas: inspiração e tempo. 
Estou de regresso a Coimbra e, além do stress por que passo, que não ajuda em nada na minha criatividade ou capacidade crítica - peças fundamentais do blogue -, confesso que não consigo ser uma pessoa muito organizada nos meus horários e não tenho muito controlo sobre o tempo que tenho ou não disponível: durmo demasiado tarde mas nem aproveito a noite para fazer coisas das quais tire algum proveito; acordo também tarde e acabo por perder metade do dia no meu sono fora de horas; durante o dia, não largo o telemóvel e demoro séculos na mais simples tarefa, entre tantos outros erros que vou cometendo e que me fazem desperdiçar a minha vida, a minha juventude. 

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Palavras à minha Consciência

Quando acreditares que tudo está mal, olha à tua volta, vê tudo o que existe de bom por aí e mesmo dentro de ti... Provavelmente continuas a sentir tudo mal, eu sei, conheço esse sentimento que nos coloca naquele beco escuro, claustrofóbico, imundo. Mesmo assim, mesmo sabendo que nada te faz sentir melhor - por enquanto -, vê tudo aquilo que tens conquistado, todas as barreiras que derrubaste, todas as tuas capacidades, todas as coisas, pessoas e emoções negativas que já conseguiste afastar da tua vida, mesmo que por momentos. E depois pensa que isso que estás a sentir é "só mais uma fase", como todos gostam de dizer, é só mais um peso do qual te vais conseguir livrar, em breve, e que te servirá de inspiração para outra "fase" que aí virá, porque elas vêm e cabe-nos apenas olhá-las de frente, com aquela confiança que está lá bem no fundinho, e dizer "Não vou deixar que tires o melhor que há em mim!". Só não desistas, por ti, essencialmente.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Cartas do Passado #3

abandonada
Como sabes que és o pior pesadelo de quem mais queres?
Quando a pessoa procura, sobretudo, paz interior e tu só sabes como lhe tirar o sossego.
Quando a pessoa gosta do seu espaço e tu precisas demasiado dela para que o consigas respeitar.
Quando a pessoa gosta de estar sozinha com os seus pensamentos e tu precisas de tanta atenção que não entendes como a libertar.
Quando a pessoa se farta de tudo muito facilmente e sabes que já aturou demasiado da tua personalidade complicada.
Quando a pessoa estava habituada a viver sem preocupações e dores de cabeça e tu és a mais turbulenta que lhe poderia aparecer pela frente.
Quando tu te sentes o ser que tanto precisa de amor e o mais carente à face da terra e imploras que te agarrem, não as mãos mas, por completo e a pessoa não sabe o que é ou como segurar o mundo do outro.
B.P., 2015

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Cartas do Passado #2


painting
Desculpa-me. 
Desculpa-me os ciúmes. 
Desculpa-me as cenas. 
Desculpa-me a irritabilidade. 
Desculpa-me, só. 
Não sou fácil, nunca serei. Sinto-me incompleta a cada momento, há um sentimento de vazio constante, uma dor encoberta por uma capa de papel que passa a vida a rasgar.
Sinto que só tu podes reparar o dano que há em mim, o soberbo e profundo dano dentro de mim. Todas as horas que todos os outros perderam a rasgar cada pedacinho meu e a atear-lhes fogo, peço-te, só a ti, que os busques, que enfeitices as cinzas e que voltes a construir o que fui, aquilo que tenho medo de não voltar a ser. Eu era feliz, juro que era feliz, muito feliz – talvez não tanto. Ou então, julgo e apenas creio ter sido feliz porque assim o desejava.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

1 mês de blogue + Tag: 15 coisas estranhas sobre mim

Quem diria... Já passou um mês desde que comecei a escrever para vocês. Para "celebrar" e porque acho que merecem conhecer-me melhor, até os tiques mais pessoais, resolvei responder a esta Tag, que vi no "Conta Tudo Cacau" e que apenas alterei um bocadinho a forma das perguntas. Descobri recentemente que gosto muuuito de responder a estas coisas e os brasileiros têm grande criatividade nisto (obrigada aos seguidores do Brasil!) *blink eye*.

1 - Qual a alcunha que apenas a tua família te chama?
Não tenho assim nenhuma alcunha, porque todos me tratam por Bea (até fico admirada quando dizem "Beatriz"), no entanto a minha mãe chama-me algumas vezes "Bomboca" ou "Biocas" (nem sei como escrever), não que me orgulhe muito, mas até é querido…

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Cartas do Passado #1

E foi a ver fotos antigas que entendi, finalmente. Entendi por que razão te desapaixonaste, te desinteressaste. Eu perdi o sorriso, perdi o brilho nos olhos, perdi o vermelho que me tingia o cabelo. Mas, acima de tudo, perdi a pureza com que me aproximei de ti. Tornei-me numa pessoa fria, obcecada, compulsiva, doente, obscura de certo modo.
Eu era feliz, eu tinha sonhos, eu sorria, eu era única do meu jeito. Foi isso que te chamou para mim, para nós. E, no entanto, consegui chegar ao ponto em que estou. Sou só mais uma pessoa no meio de tantas outras, que precisam de ajuda. Era só mais um estorvo para ti. Era só mais uma coisa chata que não fazia compensar os poucos minutos de prazer, em comparação com os dias de sofrimento.
Mas não me culpes só a mim. Culpa-te também a ti por nunca te teres aberto completamente comigo. Culpa-te pela nuvém que pairava sobre mim, sobre nós. Culpa-te também por me teres tornado fria. Eras quente só de tempos a tempos e o calor é essencial à vida, sabes? Levaste-me o calor, a vida. Levaste-me os sorrisos, o brilho nos olhos, o vermelho do cabelo e o do sangue também. E desapaixonaste-te pois já não tinhas mais nada para levar. 
Mas, acredita, até isso eu te perdoo...
 B.P., 2015

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Textos Pessoais

"A escrita é uma forma de esquizofrenia socialmente aceite."
Como já perceberam, creio eu, além do enorme gosto pela leitura, o gosto pela escrita é talvez ainda maior, caso contrário não teria começado um blogue, não é verdade?
Há muito tempo que comecei a escrever (bem ou mal, mas comecei) e a escrita é, sem dúvida alguma, uma forma de ultrapassar problemas e fases menos boas da minha vida, sem fugir a estes. Agora vou-me contradizer pois digo que não é uma fuga a situações problemáticas mas é, com certeza, uma evasão tanto na medida em que escrevo sobre coisas que me ultrapassam e entro pelo campo da ficção (o meu grande sonho era publicar um livro! - e mais que viessem), como na medida em que ponho "no papel" (no Word) aquilo que me atormenta, romantizando-o até, por vezes... 

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Um desabafo biográfico

birds flying out of the cage
Continuo sem saber quem sou e sem ter a noção do que faço por aqui. Vou pensando. Vou fazendo. Vou esperando. 
Acordo, por vezes, sem vontade nenhuma de pôr os pés no chão e dou por mim a pensar "Mais um dia… Quem és tu?". É aborrecido, é triste, é deprimente querer ser alguém e não conseguir ultrapassar aquela maldita linha que teima em te prender ao que a tua mente desordenada te obriga a ser, àquilo que estás confinada a ser: uma escrava dos teus próprios pensamentos obscuros, uma eterna prisioneira no meio da tempestade por que passa a tua alma, mais uma vida que a nada se resume e em tudo se baralha por causa da incerteza, da ansiedade, do receio, dos medos, do tormento, do pânico, do horror. 

terça-feira, 21 de junho de 2016

Talvez 18 e picos

tirinha
É verdade, parece que já tenho 19 anos... Para ser sincera, nada disto parece real: não acredito ser maior de idade, não acredito que ando na faculdade, não acredito que já tirei a carta. Por vezes, penso se isto não poderá ser tudo um sonho. Até que ponto é que não estamos todos a viver num sonho e a realidade não está ao nosso alcance? Não quero parecer louca, por isso vou ficar por aqui.
Ainda há um bocado me estavam a dizer "Então, já estás mesmo uma mulher!" e eu ri... Eu? Sinto-me uma criança. Digo que sou adulta mas só na data do Cartão de Cidadão, pois nem na altura nem na cara cheia de acne me dão esse estatuto. E, talvez, felizmente! O mundo dos adultos é chato, cheio de rotinas, responsabilidades, afazeres, compromissos, etc.

domingo, 19 de junho de 2016

Birthday & Wishlist

Olá, olá,
Apesar de todas as desgraças pelas quais o mundo passa e que temos de enfrentar, há dias em que temos de nos tentar abstrair disso, de modo a manter a nossa sanidade mental e, sem dúvida, amanhã tem de ser daqueles dias, qual autêntica criança, em que eu pareço feliz! Para mim, é dia de esquecer os problemas, é dia de pensar que só faço mais um ano porque estou viva, porque lutei, porque ultrapassei dificuldades e porque mereço estar aqui.
Como ser humaninho materiaslista que também consigo ser e devido à sociedade consumista em que vivemos, é óbvio que hoje tenho de vir aqui, muuuito poupadinha, mostrar as prendas que peço (PeloAmorDeDeus), este ano. Pai e mãe, espero que estejam a ler o blog, como fãs assíduos!
So, hoje é dois em um e fica já mais uma dica de livro dada! Prometo que se receber o livro, venho apresentar a minha opinião a correr! Mas, por alguma coisa, vai sair justamente amanhã *blink eye*.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Rubrica: Livros do Mês #1

imagem tumblr
Desde que me conheço enquanto pessoa, lembro-me de viver para os livros: miúda de três ou quatro anos, que ainda não sabe ler, exige que todas as pessoas que se possam aproximar dela leiam um daqueles dois pequenos livros de cartão grosso, sobre um pintor num mundo surreal, que vieram de oferta com uns iogurtes da Yoplait, creio eu; com seis, sete anos começo a ler sozinha o livro das "365 Histórias" e pequenos contos dos mais variados livros que já possuo; entre os dez e os doze anos já me proponho a ler aqueles livros com histórias de pré-adolescentes, ou já adolescentes, "O Clube das Amigas", mas especialmente, a partir desta idade, começo a ler os livros da coleção "Sapatilhas Rosa" de Beatrice Masini, que segue a vida de bailarina, Zoe, e dos seus amigos, com uma professora de ballet, algo severa, lá pelo meio, a madame Olenska; a partir, talvez, dos treze anos já leio romances grandes, que assustavam as minhas amigas pela quantidade de páginas, sendo que dois dos primeiros que li foram "A Doçura de Chuva" e "Tu és o Meu Coração"; com quinze ou dezasseis, deve ter começado a minha paixão pelos policiais, com a obra "O Hóspede", coincidindo com o início da paixão pela psicologia.
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