quinta-feira, 16 de junho de 2016

"Eles são filhos e filhas e pais e mães. Eles são todos nossos irmãos e irmãs"

Não costumo dar grande opinião sobre este tipo de assuntos, mas já que tenho, agora, oportunidade para o fazer…
pray for orlando
São tantas tragédias que atualmente ocorrem e, como é óbvio, não podemos ver umas como mais graves que as outras, nem podemos dizer que umas são mais trágicas que as outras (desculpem a redundância). Mas há, sem dúvida, algumas que nos abalam mais que outras, seja porque os media lhes dão maior relevo, seja porque nos revemos mais na situação daquelas pessoas, ou porque nos identificamos mais com aquele assunto, aquelas circunstâncias, aquele espaço, whatever.
A verdade é que eu não tomei conhecimento do que se tinha passado em Orlando, na madrugada de domingo, logo que começou a ser noticiado. Só ontem andei a pesquisar melhor sobre o assunto e vi em uma das notícias que li que o ataque naquela boate foi o pior ataque a tiros da história moderna dos Estados Unidos e o mais violento ocorrido no país desde os atentados de 11 de setembro de 2001, não sei se isto é verdadeiro, nem sei se é isto que faz com que tenha sido uma tragédia tão grande. Mas, para mim, é verdadeiramente terrível e porque realmente me identifico com a causa subjacente. Não deveria ser necessário lutar pelos direitos de ninguém, devia estar inerente que todos somos iguais, no que concerne a direitos e a deveres, no entanto não é assim e haverá um longo caminho até que seja. Apesar de achar que não devia existir a necessidade de lutar pela igualdade, visto que ela devia, à partida, estar presente, defendo os tais direitos da comunidade LGBT. Ainda podia entrar pelo campo da questão do porquê da existência desta "comunidade", dado que a verdadeira igualdade só pode passar a existir quando deixar de haver esta distinção… Mas, enfim, isto é assunto para debater noutra hora, quando houver oportunidade. E porque eu gosto de deixar assuntos a meio, talvez.
Entre as vítimas daquele massacre estavam jovens, com a minha ou pouco mais da minha idade e é por isso que eu estou aqui, para os representar, honrar, o que seja. Não consigo fazer grandes juízos de valor acerca do sucedido, a minha opinião é óbvia: como é que é possível haver gente capaz de fazer este tipo de coisas? Como é que é possível que alguém ache que está a fazer o bem ao causar sofrimento a outrem? Talvez um dia consiga entender ou, pelo menos, tentar compreender os motivos de alguém para magoar os outros mas, neste momento, ainda não tenho essa capacidade.
Estava a ler o artigo do Observador (http://observador.pt/2016/06/13/quem-sao-as-vitimas-do-tiroteio-de-orlando/) e cito agora três das vítimas, as três mais novas, com que mais me posso identificar pela idade e pelas quais só posso, neste momento, pedir que tenham paz. 
  • Akyra Murray/ 18 anos: "Estava de férias com a família em Orlando, para comemorar a graduação do ensino secundário e visitar o irmão. (...) " Estudava na West Catholic Preparatory High School onde também jogava basquetebol (era "uma líder entre os seus colegas e companheiros de equipa").
  • Jason Benjamim Josaphat/ 19 anos: "Atualmente estudava enfermagem na Orlando Valencia Community College. (...) Foi descrito pelos familiares como um jovem “brilhante e engraçado”."
  • Luis Omar Ocasio-Capo/ 20 anos: "(...) uma das vítimas mais jovens do tiroteio (...) Mudou-se para Orlando com o objetivo de seguir carreira nas áreas da dança e da representação. “Estava a florescer a tornar-se um homem, ainda não era um adulto”, disse Leonarda Flores, relembrando o primo."
Além destes três jovens, fiquei (ainda mais) chocada com mais uma das mortes: uma mulher, Brenda Lee Marquez McCool, de 49 anos, que sobrevivera a um cancro na mama e outro nos ossos, mãe de 11 filhos, morreu ao colocar-se à frente do seu filho para o proteger do atacante... Que dizer?
É díficil arranjar palavras nestas situações. E é díficil, com isto, acreditar que estamos num sítio bom para viver, que a sociedade pode estar bem e pode evoluir. Será que pode todo o mundo parar para pensar como melhorar? Será que pode todo o mundo parar para ser racional? Para deixar de haver fanatismos, perseguições, ódio, guerras, ambição desmedida, preconceitos, desigualdade... Eu sei que é uma utopia mas, então, podemos parar apenas para imaginar como seria se não existisse nada disso?


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