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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Aos recomeços

Eu gostava de ti, mas gosto mais de mim.
Gosto de como, afinal, consigo viver sem a tua presença, sem falar contigo. Antes, não sabia que isso era possível...
Gosto de não depender emocionalmente de alguém que nunca me fez acreditar em mim mesma. Eu era escrava da minha obsessão por ti, sabes? Aposto que soubeste o tempo todo, não te julgo.
Gosto de não ter de te contar que ontem, ou no outro dia, saí com alguém mais interessante do que esperava e me diverti. Porque eu sei que mereço muito mais que a solidão que carrego, tantas e tantas vezes.
Gosto de sentir que eu posso ser tudo o que queria ser e que isso só me é possível desta forma, longe de ti, das nossas conversas fiadas, dos teus poucos motivos e vontades. Se calhar, eu só queria ser livre, porque sou, e não entendia isso.
Gosto de saber que estou sozinha mas que, no final de contas, posso estar com quem quiser, quando quiser, ou na minha própria e única companhia, apenas. Afinal fizeste-me aprender a viver com os meus altos e turbulentos pensamentos. Obrigada por isso.

sábado, 29 de abril de 2017

É uma dose de empatia, por favor! (Vamos falar daquele "jogo")

Tenho de vir falar disto porque tenho visto muitas barbaridades escritas e custa-me acreditar que as pessoas sejam só insensíveis, prefiro acreditar que não pensaram antes de se pronunciar...
Se estão atentos às notícias que vão passando pelo Facebook ou até a postagens dos vossos amigos, já devem ter ouvido falar, com certeza, no "jogo" da Baleia Azul. Confesso que inicialmente não estava a entender muito bem o que se estava a passar, embora tenha descoberto isto antes mesmo de chegar a Portugal, mas a verdade é que fiquei perfeitamente chocada, como se ainda não soubesse do que o ser humano é capaz. Mas entendam que eu não me refiro a quem se automutila... Refiro-me àqueles que ainda continuam a aliciar pessoas que se encontram demasiado mal para dizer não ao sofrimento que acabam até por desejar - eu consigo entender isso. Empatia, lembram-se?
Vocês sabem do que estou a falar, não sabem? O "jogo" consiste numa série de desafios que envolvem comportamentos suicidiários, como automutilação e mesmo suicídio, que é o culminar do desafio. Mas eu não fico, infelizmente, chocada com quem pratica estes atos contra si próprio, pois acabamos por saber, não só no meio em que estou, que a mente humana consegue ser a melhor e a pior coisa. E lembrem-se que ninguém, a não ser ele mesmo, pode imaginar o sofrimento psicológico daquele que se submete a um sofrimento físico que, comparado com o primeiro, não é nada. Em primeiro lugar, tentem entender isso e perdoem-me se estiver errada: a pessoa que se automutila, muitas vezes, recorre a esse comportamento quer para aliviar a dor psicológica, quer porque nem isso lhe dói tanto quanto os seus pensamentos e é uma forma de escapar a eles. Não é fácil de perceber, mas creio que é assim que funciona. Em segundo lugar, jamais podemos julgar ou criticar alguém por o fazer, ou chamá-lo de fraco, de "pobre de espírito". Como me farto de dizer, o sofrimento é muito subjetivo e aquele acontecimento que para alguém não quer dizer nada, para outra pessoa pode ser o fim.

sábado, 1 de abril de 2017

Menti.

É incrível como, num ano, tanta coisa pode mudar. 
É absurdo como o brilho nos olhos pode ser tão intenso agora e completamente apagado daqui a nada.
É surpreendente como num minuto celebramos o ganho e na hora seguinte sofremos pela perda. 
Mas avassalador mesmo é o quanto algumas coisas podem durar enquanto não são proferidas. 
Um sentimento não contado jamais poderá ser não correspondido. E nem correspondido será, contudo.
É incrível como, em um ano, um sentimento não muda.
E depois é absurda a nossa vontade inata de fazermos o que está errado.
E é surpreendente como a dor nunca é dor até se saber que o é.
Mas avassaladora mesmo é a nossa capacidade de estragar tudo aquilo em que tocamos, que é quase perfeito nos nossos pensamentos.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Cartas do Passado #6

O teu problema é nunca eu te negar. 
O teu problema é nunca partires o coração. 
O teu problema é saberes que podes voltar a qualquer momento. 
Vais embora quantas vezes queres e eu fico aqui, sozinha, desolada, à espera de luz, sem rumo. 
Sinto-me assim, sempre que abalas aquilo que sou, aquilo que quero ser. 
Deixas-me incompreendida e sem sentido, talvez porque é assim que tu és.
Depois, voltas quando sentes a mínima solidão - nem tu sabes o verdadeiro peso dela, pois não?

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Cartas do Passado #5

Sim, sinto ciúme. Não, não gosto deste sentimento. Toda a sua essência é suja.
Mas sim, sinto ciúme. Não porque as tratas como me tratavas a mim, mas porque as tratas melhor do que alguma vez me conseguiste tratar.
Não acredito, de qualquer forma, que olhes para alguém, com facilidade, como olhavas para mim. Tenho disso quase certeza. 
Acredito nessas tuas palavras e prefiro manter-me ignorante.
Mas dói. Todas as frases frias, o teu encolher de ombros sem sal, que contrastam com a tua mão quente quando pousa na minha pele. 
E depois a tua distância física face a todas as outras, mas a tua inclinação para seres simpático, mais que isso, com quem nunca te foi nada...
Dóis-me por seres tu. Por sempre maltratares quem já amaste. Por não quereres ver, simplesmente, o quão mal me fazes. 
Matas-me, sobretudo, por não conseguir desaparecer contigo da minha vida. E, ainda assim, só me fazes querer viver porque estás aí. 

B.P., 2016

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Só mais uma vez.




Mais um tiro. Só mais um só para ter a certeza que já está morto.
O vilão nunca morre à primeira. O amor jamais desaparecerá com um só tiro. E já vamos no terceiro.
Então, por que não ferir só mais uma vez? 
Por que não cravar a lâmina na carne e girar, só para ter a certeza que tortura mais um pouco?
Continua a sangrar, que mereces. Grita, chora, esperneia. Não quero saber. 
Deixa que a água se derrame por cima de ti e te leve as lágrimas ingénuas. Estúpida ilusão. Iludida.
Sente-te bem, no final, só porque eu te ordeno e porque me obedeces sem questionar. 
Este tiro que disparo há de ser só mais um. Porque, afinal, andas enganada. Sempre andaste. E aguentas.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Tu.

Pus a tocar a música mais triste que encontrei, aquela que mais me lembrasse de nós, de ti, de uma versão antiga de mim. Vasculhei no computador à procura daquela pasta que teimo em mudar, constantemente, de lugar e nunca sei onde está, embora a encontre sempre, quase guiada por um inconsciente que tudo sabe. Sabe tudo menos onde irei, iremos, parar.
Numa perfeita sincronia, as fotos foram-se desenrolando à medida que a música progredia, também, no tempo e na história que contava. Chorei. Doeu tanto, sabes? Já há demasiado tempo que não sentia esta vontade tão grande de sofrer por nós, de me lembrar que "isto" contínua a doer intensamente... Venho encobrindo o que sinto com emoções ainda mais desgastantes, cansativas, que não me deixam lembrar daquilo que fui, daquilo que tive. Emoções essas que me deixam cada vez mais distante desse ponto que desejo, com toda a força que me resta, recuperar. Mas nada volta, não é? Ou, pelo menos, não volta igual. Quero, então, acreditar que poderá voltar melhor. Ingénua. Estúpida. 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Inseguranças.

Perdi a vergonha...
Sabem quando éramos crianças e não nos preocupávamos com a imagem? E quando não olhávamos para o espelho e não pensávamos o quão feios podíamos ser? Às vezes, constata-se que é na adolescência que nos começamos a preocupar demasiado com a aparência, que criamos complexos e vemos defeitos em tudo o que somos, se fomos "menos afortunados". No entanto, comigo sempre foi diferente, não consigo lembrar-me de um único momento em que tenha gostado realmente de mim, mesmo na flor da inocência, mesmo com aquela imagem tão querida, que vejo agora nas fotografias antigas. Só me consigo lembrar de todas as vezes em que desejava crescer, acreditando que ia ficar "como elas" - sem saber quem "elas" seriam.
Porque havia aqueles caracóis que eu detestava no meu cabelo (e que agora adoro), havia os pelos já muito pretos nos meus braços, que as outras meninas não tinham, depois comecei a engordar, com cerca de sete ou oito anos, e começou a haver o complexo com aquela barriga tão proeminente, depois aqueles dentes tortos e, finalmente, aproximando-se a puberdade, aquelas borbulhas horríveis, mais pelos por todo o corpo e a menstruação, para a qual ninguém parece estar preparada, por mais informação que tenha, numa fase de completo descontrolo emocional (e físico).

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Pseudo-Escrita




Escrevo para entendedor, porque me sinto desentendida. E quem sofre - todos - entenderá. Sinto um quarto de vida já vivida num quarto frio e sem vida. 
É a isto que se resume a feliz infelicidade de quem quer tudo e crê que nada tem, quando tudo o que poderia ter é tudo quanto precisa para estar contente. Mas nada funciona assim e o ser, incompleto por predefinida circunstância, sente-se vazio na sua imensa vontade de se completar continuamente, com infinitos desejos de plenitude e compreensão - amor. 
Mas tudo o que recebe é a sofrência das súplicas não ouvidas, jamais correspondidas, quando sabe já que não deveria ambicionar aquilo que não vê pois tal não lhe será concedido sem que o mereça. Mas o ser é cego nas suas decisões. E a cegueira torna o ser desprovido de moral para ser merecedor de amor. Ou assim o acha...

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Cai a ficha outra vez.

Sabem quando uma coisa corre mal? Sabem quantas coisas são capazes de correr mal, como que em catadupa, quando a primeira descarrila? 
A vida, nestes dias, até tem sido fácil. Focada no Natal, que tanto aprecio e que se aproxima, focada nas prendas que gosto de comprar,  focada no facto de estar quase no fim de um semestre académico que foi relativamente positivo, enfim, ligada às coisas boas que ultimamente me têm rodeado, à positividade que, finalmente, parecia tomar posse de mim. Mas, como sabem, tudo o que é negativo chama-nos, mais que automaticamente, a atenção. 
É quase inevitável não dedicarmos a maior parte do nosso tempo àquilo que nos faz sofrer, em vez de apreciarmos o positivo, que pode ser bem maior. E não sou eu que o digo, nada invento aqui. E parece que, temporariamente, espero, a nuvem negra voltou a pairar sobre mim. Porque questiono o inquestionável e obtenho respostas que, pelo menos conscientemente, não desejo ter. Por vezes, a bem da nossa sanidade, é melhor deixar os assuntos morrer, encerrar os capítulos, sabem?  Depois, vem o arrependimento, esse malvado sentimento que em nada nos beneficia e que nada poder mudar, a não ser aumentar o peso das coisas negativas, sendo por si só negativo. 
Sou eu, e mais ninguém, responsável por, mais uma vez, mentirem, ocultarem verdades, traírem a confiança, de alguma maneira, em algum momento. E não deveria impedi-lo? Mas não consigo, ainda, e sei que nada de mal há nisso, a não ser deixar que a ferida abra novamente, sem nunca deixar que a cicatriz seque. Porque somos assim, feitos de ingenuidades, porque tendemos sempre a acreditar, porque esperamos honestidade, porque confiamos. Talvez porque amamos. Ou talvez porque ainda não compreendemos o que é o desapego.
Sabem o que é pior? Sinto que quero "recuperar-me" a mim mesma, ser terapeuta daquilo que sou. Ultimamente, não me permito sentir fria, pura e cruamente, tento racionalizar tudo, tento entender no momento, mesmo o que sei que jamais entenderei sozinha, mesmo sabendo que não consigo suturar o meu próprio corte...

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Feridas

broken heart
Voltou a abrir esta ferida. E a doer muito. Por que teimam em não deixar o corte sarar? E vai sangrando, igual nascente em época de chuvas. E talvez seja só exagero meu, mas é assim que sinto, e sempre disse que o sentimento é subjetivo. A intensidade das coisas está profundamente ligada à essência da pessoa que as vive, no entanto a maioria tem tendência, embora o saiba por experiência própria, a não entender...
Porque se entendessem não faziam sofrer, diria qualquer sofredor. Porque, se quisessem entender, não iam embora tão facilmente, não desistiam, diria eu, também. Porque se não é um, é o outro. Porque se não é uma coisa, é a que se lhe opõe exatamente. E é cansativo. Os desamores são cansativos e muito mais são os amores, até pelo material... Como não haveria de ser pelo humano? 

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Vejo-as a passar.

Nada contra, apenas aquela dorzinha. Eu vejo-as a passearem-se todas confiantes, superiores, donas de si mesmas, aparentemente felizes, mas provavelmente tão (in)felizes quanto eu. Anyway, parecem melhor que eu. Vejo-as com um namorado, com montes de amigos, a sorrir a todos. Continuo a vê-las a ser tudo o que podem e a fazer tudo o que querem, assim me parece,  e eu continuo estagnada, continuo aqui a rodopiar dentro da mesma sala giratória, que nada mais faz senão prender-me à pessoa que eu fui e que sofreu pelas coisas mais estúpidas, absurdas. E, enquanto não for como qualquer outra, não consigo ser também eu própria uma outra. É terrível como as coisas se resumem a querermos ser normais quando o que de mais único podemos ter é a nossa anormalidade, seja ela feliz ou infeliz.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Cartas do Passado #3

abandonada
Como sabes que és o pior pesadelo de quem mais queres?
Quando a pessoa procura, sobretudo, paz interior e tu só sabes como lhe tirar o sossego.
Quando a pessoa gosta do seu espaço e tu precisas demasiado dela para que o consigas respeitar.
Quando a pessoa gosta de estar sozinha com os seus pensamentos e tu precisas de tanta atenção que não entendes como a libertar.
Quando a pessoa se farta de tudo muito facilmente e sabes que já aturou demasiado da tua personalidade complicada.
Quando a pessoa estava habituada a viver sem preocupações e dores de cabeça e tu és a mais turbulenta que lhe poderia aparecer pela frente.
Quando tu te sentes o ser que tanto precisa de amor e o mais carente à face da terra e imploras que te agarrem, não as mãos mas, por completo e a pessoa não sabe o que é ou como segurar o mundo do outro.
B.P., 2015

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Um NÃO às (des)ilusões

É tão simples andar iludido por aqui, é tão fácil estar enganado em relação a tudo e a todos. Começando pelo simples facto de não sabermos o nosso destino final. Batalhamos uma vida inteira, por tudo e mais alguma coisa, temos sonhos, ambições, projetos, para um dia simplesmente fecharmos os olhos e nada mais haver, se quisermos ser práticos em relação à morte, algo que não costumo ser, acreditando que há algo mais... E notem que não estou a querer ser derrotista, quero ser apenas realista. Nós nem sequer sabemos como ou quando vamos perecer, contudo não conseguimos ser bons, nem connosco, nem para com outros, em tantos momentos, podendo qualquer um ser o último.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Loneliness.

lonely



Há uns dias, vi no meu jardim este malmequer, surgia do meio da verdura e pendia sobre a pedra fria, cinzenta. Logo me identifiquei com ele, tão sozinho, desamparado, foge do meio da multidão e fica sobre o solo frio, árido, desabitado, a minha mente.
Quanto não vale a paz interior? 
Quanto não vale o calor, o humano principalmente? 
Quanto não vale ter solo firme para pisar?
Quanto não vale sentir-se acolhido pelo universo? 
Quem tudo isto tem nem se chega a aperceber do bem, da enorme riqueza, que o rodeia. Só aquele que não possui sabe reconhecer o verdadeiro valor das coisas, talvez. 
E eu pagaria por elas, se assim pudesse.
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