terça-feira, 5 de julho de 2016

Apelo à autoestima

Vemos nesta altura, e até mais cedo, publicidade do género "Prepare o seu corpo para o verão". Whaaat? Qual é a diferença entre um corpo de verão, um corpo de inverno, um corpo de outono, primavera (e houvesse mais estações para enumerar)? Rigorosamente nenhuma! Basicamente, o que os media e as empresas que vendem depurativos, diuréticos, cosméticos milagrosos que prometem reduzir a celulite e tirar não sei quantos centímetros de barriga, coxas, rabo, e por aí em diante, nos querem dizer é que se queremos mostrar o corpo temos de estar dentro daquelas medidas, caso contrário temos de ficar em casa tapadas com um cobertor (de preferência para fazer sauna e perder gordura, hum?) porque não temos um "corpo de praia". Aliás, acho que estas empresas querem mesmo é vender (genius que eu fui agora) e, para isso, usam todo um conjunto de estereótipos, preconceitos, o que lhes quiserem chamar, que fazem as mulheres sentir-se mal porque não se inserem naquele padrão.
Acreditem ou não, crê-se que no Paleolítico o padrão de beleza era de uma mulher "gordinha" (como as pessoas gostam de chamar, porque aprenderam que gorda seria um insulto, que não é!), o que pode ser comprovado pela figura da Vénus que era neste período reproduzida e que vocês podem ver aqui. Igualmente, durante o Renascimento, as mulheres ideais eram de formas voluptuosas, de barriga até pronunciada, rubnescas (adjetivo baseado no pintor Peter Paul Rubens e na sua representação típica da figura feminina, que podem ver aqui). Mais uma vez, nos anos 40 e 60 do século passado, a mulher ideal era aquela com quadris largos, até avantajados e peito igualmente avantajado. E nisto parece que eu vou enveredar por um discurso de ódio contra quem seja magra, mas não é isso. É simplesmente para mostrar exemplos de como mulheres "gordinhas" também já foram mais valorizadas pela sociedade, que agora parece apenas idolatrar mulheres que conseguem vestir umas calças tamanho 32 e dizer que não é correto uma mulher vestir um 48, por exemplo (e não me venham com questões de saúde!). Não apoio, de maneira nenhuma, que sejamos valorizadas pela nossa imagem, pelo nosso peso, etc. No entanto, se estes factos ajudarem qualquer uma a sentir-se melhor perante a sociedade mázinha que nós temos, go ahead. Mas que nenhuma mulher se sinta inferiorizada também por isto, nunca! Cabem numas calças 32 de cintura baixa? Usem! Mal cabem nuns calções 36 mas querem usar? Se conseguirem e se se sentirem bem, usem também! Se só entro numa calças 40 ou maior? Provavelmente, mas adoro! Se visto um crop top e fica a "banha" a ver-se? Claro, não a posso  cortar de lá (nem quero!)...
Não vim para ofender ninguém, não vim para pôr abaixo nenhum padrão de beleza, simplesmente gostava que não existisse nenhum, e não porque não me insiro no vigente, mas porque há demasiado sofrimento devido à imagem. O que eu queria era apenas que a mulher parasse de ser objetificada, parasse de ser rotulada, colocada em "prateleiras" que tudo o que fazem é organizar-nos e tornar-nos alvo de preconceito e comparações consoante o peso que apresentamos, se temos ou não celulite, estrias, cicatrizes. 
E meninas, mulheres, querem ter um corpo de verão? Querem ter um corpo de praia? Vistam o que bem vos apetecer, o vosso bikini, o vosso fato de banho, estendam a toalha na areia e mostrem com orgulho o corpo que só vocês, essencialmente, têm de amar!

1 comentário:

  1. Autoestima é tudo!

    Amei o texto, Bia, como sempre e mais uma vez!

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